23 ago

Conjuntura econômica ou amadorismo na gestão do varejo?

Desenvolver a capacidade gerencial para gerar resultados que vão além da sobrevivência do negócio em ambientes competitivos envolve os aspectos técnicos e comportamentais. 

 

Por Adriano Arthur Dienstmann

Adriano Arthur Dienstmann

Entidades representativas do varejo estimam que no primeiro semestre de 2017 perto de duas mil lojas fecharam só em Porto Alegre e no estado do Rio Grande do Sul já passam de três mil. Mesmo com estes números, os dirigentes “se consolam” afirmando que, mesmo assim, os dados deste ano mostram uma baixa menor frente a 2016.

Segundo os dirigentes destas entidades, os motivos desta mortandade quase sempre são externos ou conjunturais: carga tributária, aumento dos juros, aluguel muito caro, restrições ao crédito, entre tantas outras.

Porém, mesmo nos anos de bonança, onde o Brasil experimentou doze anos de forte crescimento econômico e foi marcado pela inclusão de mais de 40 milhões de cidadãos no mercado formal de consumo pela conjugação de aumento de renda, emprego, estímulo ao crédito e confiança do consumidor, o discurso dos empresários que fechavam os seus negócios era o mesmo.

Como consultor e instrutor, acompanho o esforço das entidades de fomento ao empreendedorismo para fornecer ferramentas de controle e análise financeira, planejamento, marketing, gestão operacional e de pessoas aos donos dos pequenos negócios.

Apesar da taxa de sobrevivência dos pequenos negócios ter melhorado, a maioria desses empreendedores se mantém na faixa da sobrevivência. Esta realidade é particularmente visível nas empresas familiares do varejo, onde o resultado gerado pelo negócio mal sustenta a família do empreendedor, e os empregos gerados são mal remunerados.

Responsabilizar fatores externos e conjunturais pelo insucesso nos negócios é um posição muito cômoda e um tanto infantil por parte dos empreendedores. O pequeno empresário precisa assumir a sua responsabilidade em relação ao sucesso do seu negócio e avaliar o seu comportamento pessoal frente às dificuldades conjunturais.

Parte dos empreendedores gosta de ser comparada como um “grande pai”, que aprecia ser visto como dono do poder. Suas práticas de gestão são baseadas na improvisação e no personalismo, e costumam se cercar de subordinados que assumem a postura de expectadores passivos frente aos desafios.

É preciso ter humildade para reconhecer que a maior parte dos problemas está relacionada às escolhas feitas pelo dono do negócio e que ele tem a obrigação de enfrentá-los e buscar a solução.

Ser empresário exige um forte sentimento de responsabilidade e a disposição de rever seus modelos de gestão. Desenvolver a capacidade gerencial para gerar resultados que vão além da sobrevivência do negócio em ambientes competitivos envolve os aspectos técnicos e comportamentais. É justamente neste último reside a fragilidade da maioria dos pequenos empreendedores.

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