12 jul

O que o Japão pode nos ensinar

O palestrante e consultor Ricardo Lemos, parceiro da Redexpert, ministrou três palestras no Japão no mês de junho e trouxe algumas reflexões e aprendizados que podem perfeitamente serem assimilados e traduzidos para o Brasil. Confira:

Visitei cinco cidades em dez dias e aprendi muito mais do que ensinei.

“É comum relacionarmos o povo japonês com inteligência e tecnologia. Mas lá é possível perceber o conservadorismo andando lado a lado com a tecnologia. Contudo,  os japoneses seguem um ditado que me surpreendeu: ‘A disciplina, cedo ou tarde, vencerá a inteligência’. Ou seja, o que predomina lá é a disciplina. E realmente, se precisasse resumir tudo o que vi e vivi em duas palavras, seriam elas: disciplina e educação.

E isso é facilmente percebido nos canteiros das ruas com flores, vendo pessoas varrendo onde não há nada para varrer, percebendo o respeito aos horários estabelecidos para iniciar e terminar eventos (minhas palestras, por exemplo), para abrir ou fechar lojas, no trânsito organizado e sem buzinas, nos horários precisos do sistema de transporte, nas pessoas que usam mascara para não transmitirem sua doença para o próximo, entre tantas outras coisas.

Mas a maior lição observada tem relação com o seguinte: o território do Japão corresponde a 4,5% do território do Brasil, sendo que 70% dele é pouco habitado por corresponder a regiões montanhosas. Lá existem mais de 200 vulcões, sendo que mais de 100 deles ainda estão ativos. Todo seu território é composto por mais de seis mil ilhas e todos dia, em algum lugar naquele país ocorrem tremores de terra. Em um dos dias que estive lá foram oito tremores – porém não foram percebidos, ao menos por mim (eles usam um aplicativo que informa o local, horário e o grau na escala Richter). A maioria dos prédios suporta até nove graus na escala Richter, que vai até 10. E ainda, os japoneses são o décimo país mais populoso do mundo, com mais de 127 milhões de habitantes. Todos ingredientes para ser um país, no mínimo, paupérrimo e desorganizado

Mesmo assim, com todas essas adversidades, os japoneses conseguem a façanha de ser a terceira maior economia do mundo, ter uma taxa de alfabetização de quase 100% e uma das menores taxas de homicídio do planeta (0,03% a cada 100 mil habitantes).

Diante de tudo isso, cheguei a conclusão que a capacidade de adaptação às adversidades do povo japonês, além de bárbara, é exemplar. Esse é o maior aprendizado: o poder da adaptação. A capacidade de reação e adaptação diante de tantas adversidades é impressionante. Pois lá, como sabemos, tudo funciona. O respeito ao próximo é muito presente, além das preocupações com o meio ambiente. Ou seja, existe um lugar quase perfeito. É possível as coisas darem certo. É possível existir um lugar onde a educação, a disciplina e o respeito ao próximo estarem em primeiro lugar.

Isso me animou: saber que o meu e, talvez o seu sonho, pode ser realizado. Ao menos existe um lugar onde as coisas são muito diferentes daqui. E se algum país foi capaz de fazer algo, nosso país também será, mesmo sabendo que levaremos décadas, será possível.

Então fica a reflexão: o quanto estamos exercitando nossa capacidade de adaptação?”

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