11 dez

Padronização: um “palavrão” nas redes e centrais de negócios

Ao mesmo tempo em que é necessário respeitar a cultura das empresas participantes da rede, é preciso desenvolver processos colaborativos padronizados para gerar escala e eficiência.

Por Adriano Arthur Dienstmann

Adriano Arthur Dienstmann é diretor da Redexpert

As redes interorganizacionais são alianças estratégicas altamente complexas, pois implicam na união de empresas para alcançar objetivos que dificilmente seriam obtidos de forma individual. Este tipo de arranjo produtivo utiliza a cooperação interorganizacional para competir. Ele é formado por empresas juridicamente independentes, com interesses comuns, mas não necessariamente consensuais.

Quando são admitidas, as empresas concordam voluntariamente em se submeter a um conjunto de regras, expressas no estatuto, e transferir parte das tarefas internas (negociação, marketing e capacitação, por exemplo) para uma “nova” organização que se materializa através de uma central de negócios, gerando assim, um segundo nível de governança com a atribuição de coordenar a rede.

Seria uma infantilidade imaginar que é possível obter os benefícios da cooperação – melhores condições de compra, promoção comercial, taxa atrativas para os meios de pagamento, custo reduzido de capacitação e principalmente consultoria de negócios gratuita fornecidas pelos demais associados – sem dar a sua contribuição e abrir mão de práticas individuais em prol dos interesses coletivos.

Uma das maiores fragilidades das redes associativas é o fato do grupo de negociação prometer determinados volumes de negócios aos fornecedores em troca de melhores condições e compra. Porém, muitas vezes eles não se concretizam por falta de comprometimento dos associados. Este é apenas um exemplo da falta de padrões comportamentais ou operacionais nas centrais de negócios.

As redes de cooperação exigem um estreito relacionamento colaborativo entre empresas familiares, com culturas próprias, influenciadas pelas práticas gerenciais e modelos mentais dos proprietários. Ao mesmo tempo em que é necessário respeitar a cultura das empresas participantes da rede, é preciso desenvolver processos colaborativos padronizados para gerar escala e eficiência. Participar de uma rede exige o abandono do individualismo e o desenvolvimento de uma nova mentalidade empresarial, baseado nos princípios da cooperação onde cada indivíduo se responsabiliza individualmente e solidariamente pelos resultados esperados e obtidos pela associação.

Publicado no boletim informativo Varejo & Redes Empresariais nº 191

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