13 nov

A crise brasileira é uma crise midiática impulsionada por interesses políticos

Para crescer no cenário econômico brasileiro é preciso buscar receitas em rendas onde não incide a arrecadação do Imposto de Renda, ou seja, no mercado que detém os recursos do País.

Economistas reunidos no seminário promovido pela Fundação CEEE

Economistas reunidos no seminário promovido pela Fundação CEEE – Foto: Marcelo Ribeiro/Jornal do Comércio

Cortar gastos e onerar o setor privado não são consideradas soluções para as contas públicas do País. Segundo reportagem publicada no Jornal do Comércio, esta é a visão dos economistas Leda Maria Paulani e Samuel Pinheiro Guimarães, que estiveram participando nesta quinta-feira (12) do 17º Seminário Econômico – Cenários Macroecômicos e Políticos, promovido pela Fundação CEEE, em Porto Alegre.

Presente no encontro, o consultor Adriano Arthur Dienstmann explica que para superar o déficit brasileiro é preciso buscar receitas em rendas que não são tributadas, ou seja, no mercado que detém os recursos do País – como donos de bancos e de grandes empresas – e de onde não incide a arrecadação do Imposto de Renda. A visão de Dienstmann parte dos dados apresentados pelo diplomata Samuel Guimarães, que mostrou durante o seminário que 71,8 mil brasileiros têm, juntos, uma renda anual declarada de R$ 298 bilhões. Segundo disse ao Jornal do Comércio, dois terços não são taxados, pois são rendimentos do capital, o que significa quase R$ 200 bilhões. Além do Brasil, somente a Estônia não tributa os rendimentos sobre o capital.

Para o consultor Adriano Dienstmann, os exageros frente aos números da dívida pública são considerados uma crise midiática, ou seja, por trás do cenário de terror que foi criado sobre a economia nacional há um interesse político sem fundamentos econômicos. Por fim, segundo a análise do ex-prêmio Nobel em Economia Paul Krugman, cortar os gastos em uma economia em recessão agrava o quadro em curto prazo, reduzindo o emprego e a produção e prejudicando a arrecadação fiscal em longo prazo.

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