31 jul

As Centrais de Negócios precisam pensar além das compras em conjunto

As centrais de negócios se constituem, basicamente, em associações de empresas  que se unem para comprar de fornecedores a um preço mais competitivo. Porém, por trás de grande parte das centrais de negócios estão pequenas empresas que tentam competir no mercado com grandes corporações, e o entendimento desse tipo de entidade precisa ir além da mera aquisição conjunta.

Isso é explicado por Jordi Costa (foto acima), presidente da Associação Nacional de Centrais de Compras da Espanha (Anceco), que reúne 127 entidades desse tipo operando em 21 subsetores, representando 19 mil empresas e 31,2 mil pontos de venda.

Segundo ele, apesar de muitas ainda estarem focadas nas compras conjuntas, algumas já adicionaram nos últimos anos os serviços de marketing e logística. Atualmente estão se preparando para prestar serviços financeiros nos moldes das centrais da Alemanha e da França.

Para o diretor e consultor da Redexpert, Adriano Dienstmann, outro ponto a ser destacado é referente a afirmação do presidente da Anceco, que colocou que as entidades francesas e alemãs estão 20 anos à frente das espanholas pois elas se concentraram na prestação de serviços financeiros, garantindo aos fornecedores o pagamento das compras dos seus associados. “Na Espanha as centrais ainda estão focadas em compras, fazendo com que a tomada de decisões seja mais lenta”, comenta.

Outra preocupação dos dirigentes das Centrais de Negócios, segundo Dienstmann, está em preparar as PMEs para entender as demandas do cliente do século XXI. Eles mudaram muitas coisas nas formas de comprar, de encontrar informações, de pagar, de consumir. O consumidor está mais exigente e também mais infiel. Para se relacionar com ele, não basta replicar estratégias que davam certo antes da Internet. Atualmente, a loja tem que ser algo que o inspire e o convide a continuar comprando. Existem oportunidades: trabalhar omnichannel, se especializar, oferecer serviços diferenciados e um tratamento requintado. Enfim, proporcionar experiências de compras memoráveis.

Confira a entrevista com Jordi Costa, presidente da Associação Nacional de Centrais de Compras da Espanha (Anceco):

Como o significado das centrais de negócios está mudando?

Na Espanha, esses tipos de entidades foram desenvolvidos entre os anos 70 e 80, então, neste momento, a maioria tem mais de 20 anos de existência, e tem um futuro claro e longo, mas elas devem continuar a se transformar. Elas nasceram no seu dia para ajudar pequenas e médias empresas a melhorar suas compras e sua gestão. Neste momento, a compra é uma parte essencial dos serviços, mas deve ter muito mais. Em países como a Alemanha ou a França, as empresas estão agregando mais valor a seus associados e prestando mais serviços. Na Espanha, estamos nesse processo.

Que outros serviços podem agregar?

Nos últimos anos eles têm adicionado marketing, logística. As grandes centrais europeias se articularam para conseguir acordos com entidades financeiras e otimizar essa parte dentro das centrais. O objetivo é agilizar o movimento do dinheiro.

Isso parece um serviço para grandes centrais, mas a maioria é pequena?

É por isso que defendemos que você se junte para procurar por esse tipo de serviço, procurar por alianças estratégicas. Na Alemanha ou na França estão mais evoluídos, 20 anos a nossa frente. Lá eles se concentraram mais na parte financeira, que é essencial.  Na Espanha, a tomada de decisões é mais lenta e ainda estamos mais focados em compras.

Se cada vez mais empresas se juntarem a centrais, e estas estiverem ligadas a outras, não haverá risco de excessiva uniformidade de preços ou serviços?

A probabilidade de se chegar a essa situação é muito baixa. Trata-se de dar vazão às pequenas empresas para que elas possam competir com as grandes empresas. O objetivo é ter melhores custos para ser mais competitivo e poder estar no mercado.

Dizem que as centrais se concentram em PMEs, mas há centros de compras com empresas que faturam centenas de milhões, como Euromadi ou Ifa.

Estas centrais construíram um modelo mais próximo do da Europa. Ser mais competitivo é uma obrigação das empresas e todas buscam isso. Você está vendo na França com o Carrefour e suas alianças. Depende do tamanho que você tem em cada um dos setores e subsetores.

Você disse, em 2017, que as receitas das empresas aderidas as centrais ligadas à Anceco cresceram 6,8% e arriscou que, em 2018, elas cresceriam 7,2%. Continua com esse pensamento?

O retorno que recebemos dos nossos associados é que em 2018 continuaremos a crescer. Existem setores que funcionam muito bem, como tudo ligado à construção e a alimentação. Estes continuam crescendo em um ritmo mais estável. As perspectivas ainda são boas.

Quais setores têm o maior potencial no futuro?

Se eu tivesse que apostar, diria o setor de logística. No momento, ele tem muito movimento e ainda deve estar mudando e melhorando cada vez mais. Existem áreas que estão ficando sem espaços de logística para gerenciamento de produtos acabados, e nos centros das cidades suas operações também serão alteradas. Tudo depende de como a economia evolui.

Clique aqui e leia a entrevista completa, publicada no jornal El País.

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