29 jul

A evolução das Redes e Centrais de Negócios

É chegado o momento em que redes e centrais de negócios precisam evoluir para um novo e mais complexo modelo de negócio coletivo. E o primeiro passo começa com uma “autoavaliação” dentro das organizações.

Confira abaixo o artigo do consultor e diretor da Redexpert, Adriano Dienstmann (conheça o seu perfil clicando aqui), publicado na edição nº 58 da Revista Nosso Setor, de Fortaleza/CE.

Reunir pequenos negócios em redes de cooperação e centrais de negócios é uma das estratégias mais utilizada pelas PMEs no mundo para enfrentar a tendência de concentração de mercado patrocinada pelas grandes corporações.

Segundo o SEBRAE, no Brasil existem aproximadamente oitocentas redes de cooperação. Grande parte delas é de centrais de compras, primeiro estágio da cooperação entre empresas. Estas redes são sistemas de negociação centralizados, destinadas à aquisição de mercadorias exclusivamente para seus integrantes. O objetivo é obter escala e poder de barganha junto aos fornecedores através das negociações centralizadas.

A experiência internacional e alguns cases de sucesso brasileiros indicam que é necessário evoluir para modelos de negócios coletivos mais complexos como as organizações administrativas de redes (OAR).  Além de buscar escala e eficiência nas negociações com os fornecedores, elas desenvolvem estratégias competitivas de longo prazo para a rede e aumentam a capacidade de agir em bloco.

O primeiro passo para a evolução da rede rumo ao novo patamar na cooperação interorganizacional inicia por um debate interno para responder as seguintes questões:

  1. a) Por que estamos em rede?
  2. b) O que nos une?
  3. c) Onde queremos chegar com este modelo de negócio?

É neste momento que a cultura preponderante no grupo irá determinar o rumo da rede. Os grupos que valorizam as estratégias de crescimento (MAKE MONEY) irão concentrar suas ações na área da receita e lucratividade, visando conquistar crescentes fatias do mercado. Enquanto que os grupos onde a cultura preponderante está relacionada com a contenção de custos (SAVE MONEY) irão privilegiar ações para manutenção do mercado e de aumento da produtividade, através da eficiência operacional.

Mesmo que ambas as estratégias busquem aumentar a lucratividade do negócio, as prioridades serão diferentes e elas irão determinar a visão de futuro da rede como uma nova organização empresarial.

Nas centrais de negócios as relações são colaborativas e não hierárquicas. A geração compartilhada de riquezas num ambiente que é simultaneamente competitivo e colaborativo exige das lideranças competências gerenciais diferentes das que são utilizadas nas sociedades mercantis hierarquizadas com fins lucrativos. Neste ambiente complexo, com inúmeros agentes e interesses a serem conciliados, não se pode simplesmente transpor as práticas de gestão utilizadas nas empresas associadas para a central.

Nós acreditamos que é possível transformar a realidade das PMEs através do trabalho coletivo aliando cooperação e competição. Porém, isto é desafiante numa sociedade que privilegia e valoriza o individualismo, mesmo sendo o ser humano um ser social por natureza. Esta contradição é desafiada pelo empreendedorismo colaborativo através das redes e centrais de negócios. Além de valorizar as ações coletivas, elas são uma escola de formação de empreendedores e líderes comprometidos com o desenvolvimento social e econômico coletivo das suas comunidades. 

 

Leia também: Por que as redes e centrais de negócios precisam se expandir?

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