24 jun

Gestão de voluntários nas organizações do terceiro setor

A gestão de voluntários nas organizações do terceiro setor exige um método que envolve captação, preparação e valorização dos voluntários. Eles não podem ser encarados apenas como uma força auxiliar, útil para suprir as necessidades financeiras da instituição.

Durante as crises, como a que estamos vivendo, há dois sentimentos contraditórios que afloram. De um lado, os egoístas com a mentalidade do “eu em primeiro lugar”. De outro os solidários que demonstram empatia e intenção de fazer o bem ao próximo. Estes são impulsionados pelo altruísmo e se dispõe a cooperar para encontrar soluções para superar as dificuldades que afetam a sociedade.

Para que ocorram transformações, o desejo de fazer o bem e de cooperar precisa se transformar em ações concretas. É neste espaço que surge o voluntariado coordenado e estruturado pelas Organizações do Terceiro Setor.

Voluntários são agentes de mudanças

Segundo Peter Druker, estas entidades “são agentes de mudanças, cujo “produto” é um ser humano mudado, é um paciente curado, uma criança que aprende, um jovem que se transforma num adulto com respeito próprio: isto é, toda uma vida transformada”.

Esta transformação ocorre na vida de quem recebe os serviços e na de quem os presta. Os voluntários assumem livremente uma atividade não remunerada durante um determinado período. Oferecem o seu tempo, seus talentos e recursos financeiros para amenizar o sofrimento humano e as desigualdades sociais.

As motivações e expectativas em relação ao trabalho voluntário diferem conforme o tipo de pessoa e atividade desenvolvida. Porém, os valores de solidariedade, altruísmo e o desejo de ser protagonista não são vazios de interesses legítimos. Por este motivo, as organizações do terceiro setor devem desenvolver estratégias de atração, valorização e retenção de voluntários.

Apesar do aumento do desejo das pessoas que atuar como voluntárias, nas OTS há uma notável ausência de métodos para atração e gerenciamento de Recursos Humanos adequadas para o setor. A utilização de modelos e práticas do setor público ou privado, baseado numa relação contratual e formal de emprego que institui uma remuneração e uma lógica de subordinação, se distância da lógica do voluntariado.

Na medida em que aumentam as desigualdades sociais, aumenta a pressão por produtividade e eficiência na aplicação dos escassos recursos das organizações do terceiro setor.

 

Estratégias de gerenciamento, valorização e retenção dos voluntários nas organizações do terceiro setor

Contudo, a ação dos voluntários identificados com a causa da instituição pode ampliar a capacidade de atendimento. Porém, é necessário desenvolver estratégias de gerenciamento, valorização e retenção dos voluntários.

A gestão do voluntariado nas organizações do terceiro setor exige um método que envolve captação, integração, acompanhamento, formação contínua, avaliação de desempenho e gestão da desvinculação do voluntário. Este ciclo inicia com a concepção de um projeto captação e gestão dos voluntários.

Entre as etapas prévias está a elaboração do mapa de empatia para que os gestores entendam as motivações e expectativas dos potenciais voluntários. A partir destas informações é possível estabelecer os parâmetros para formalizar os compromissos de diretos e deveres entre a OTS e seus voluntários e assim, potencializar os resultados com a ação destas pessoas.

Sob o ponto de vista gerencial a perda de voluntários, assim como na iniciativa privada e governamental, deve ser encarada como um custo de perda de um recurso que foi recrutado, integrado e capacitados pela organização.  Como tal, partimos do pressuposto que reter voluntários exige que as partes compreendam os seus papéis e que possuem compromissos de transforma vidas através do exercício responsável do voluntariado.

As lideranças institucionais e profissionais das organizações do terceiro setor precisam valorizar o protagonismo dos voluntários e aceita-los como parte da instituição e não apenas como uma força auxiliar útil para suprir as necessidades financeiras da instituição.

 

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