08 jun

Qual o futuro das centrais de negócios?

O futuro das centrais de negócios depende de assumir o papel de coordenadora e ser capaz de fazer os associados agirem em bloco.

Em segundo lugar, é preciso distribuir de forma racional e eficiente as tarefas, responsabilidades e recursos entre os agentes.

Só uma gestão profissional, controlada (não operada) e voltada para as necessidades dos associados, garantirá que os objetivos e os resultados pré-estabelecidos sejam alcançados.

Porém, a profissionalização é tratada como um tabu.

Na raiz dessa dificuldade, encontram-se dois pontos: restrições quanto à transferência de poder para gestores profissionais e a sustentabilidade financeira da central.

Há soluções largamente utilizadas por empresas familiares que profissionalizaram a gestão – os princípios da governança corporativa que fundamentalmente separa a gestão do negócio da propriedade.

Quanto à sustentabilidade financeira, é necessário discutir o tema de forma transparente, respondendo à seguinte questão:

Qual o percentual do faturamento do associado vale os serviços prestados pela central de negócios?

Respondida a questão, sem hipocrisia imposta pela “Lei de Gerson”, certamente se chegará a uma fórmula simples que viabilize a profissionalização da operação garantindo serviços capazes de aumentar a competitividade dos associados.

Assim, o baixo custo operacional da central, processo decisório descentralizado, respostas rápidas às mudanças ambientais e preservação da autonomia administrativa dos associados são apenas algumas vantagens competitivas do modelo de negócio das redes associativas.

Porém, os modelos atuais carecem de eficiência e profissionalismo para potencializar os resultados.

Eficiencia e profissionalismo nas centrais

A capacidade das centrais de negócios aumentar a competitividade das empresas associadas e firmarem-se como modelo de negócio eficiente vem sendo questionada pelos dirigentes e estudiosos do tema.

O pesquisador e professor Dr. Douglas Wegner da Unisc desenvolveu a Ferramenta de Diagnóstico do Estágio de Desenvolvimento de Redes de Cooperação.

Minha vivência de 15 anos na área de redes empresariais aponta para o esgotamento do modelo que apenas privilegia compras conjuntas e campanhas promocionais.

Assim, sem perspectivas de crescimento, a estagnação do modelo deve-se à incapacidade das redes evoluírem ou inovarem dentro desse conceito no seu modelo de negócio.

Acreditamos que a criação coletiva de riquezas por meio da cooperação empresarial, em seus diversos formatos, é um jeito inovador de competir extremamente interessante e promissor para as PMEs.

Ao unir a cooperação e competição, as redes estão inovando, habilitando as empresas associadas a fazerem frente, em igualdade de condições, aos grandes concorrentes nacionais e internacionais.

Para tanto, é preciso que a rede seja percebida e operada como uma nova organização empresarial que envolve a central e as empresas associadas.

Contudo, esse novo modelo de negócio é muito maior e mais complexo do que as redes atuais.

Futuro das centrais de negócios

O futuro das centrais de negócios passa por respeitar a hierarquia do conhecimento e aceitar a profissionalização da gestão são passos fundamentais para tornar este modelo de negócio eficiente, competitivo, replicável e rentável.

Por certo, grande parte das centrais de negócios enfrentam os mesmos problemas: baixa escala de compras, processo decisório lento, baixa capacidade de investimento, sistema de informações inconsistente, pouca participação e comprometimento dos associados.

Isto é, estes sintomas são evidências objetivas de que o modelo de negócio que privilegia compras conjuntas precisa ser aperfeiçoado.

Logo, o futuro das centrais de negócios passa por reconhecer que a rede – formada por lojas, central de negócios e centro de distribuição – deve ser percebida como uma nova organização empresarial caracterizada por:

  • interdependência dos seus agentes
  • distribuição racional e eficiente das tarefas
  • responsabilidades e recursos entre os seus membros
  • agir de forma articulada para alcançar os objetivos e os resultados pré-estabelecidos

Por isso, a central de negócios devem ser compreendida como uma organização administrativa da rede e prestadora de serviços capaz de unir os fornecedores (produtores), lojas associadas (canais) e consumidores.

O foco dos serviços prestados pela central envolve:

  • estratégias de marketing
  • desenvolvimento e gestão da marca coletiva
  • inteligência comercial
  • tecnologia de gestão
  • capacitação de pessoas para aumentar a competitividade
  • obter market share (participação no mercado) das empresas associadas

 

O futuro das centrais de negócios passa pela maturidade dos dirigentes e associados

É claro que dirigir este modelo de negócio inovador é uma tarefa complexa que requer das lideranças competência, habilidades e atitudes diferentes das utilizadas no dia a dia.

Porém, o modelo de autogestão, utilizado pelas centrais de negócios tem se mostrado frágil para enfrentar esta complexidade.

Logo, os dirigentes eleitos atuam de forma voluntária, além de cuidar do seu próprio negócio precisam disponibilizar de tempo para gerenciar a central de negócios.

Salvo raras exceções, a gestão voluntária é pouco eficiente basicamente por dois fatores:

  1.  visão de curto prazo em função do tempo dos mandatos
  2.  lideranças despreparadas por falta de conhecimento dos princípios da gestão horizontal

No entanto, se faz necessário desenvolver novos modelos de governança que privilegiam a profissionalização da gestão das centrais de negócios, preservando o controle dos associados.

É por isso que o futuro das centrais de negócios passa pela maturidade dos dirigentes e associados em respeitar a hierarquia do conhecimento e aceitar a profissionalização da gestão como passos fundamentais para tornar este modelo de negócio eficiente, competitivo, replicável e rentável.

 

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Por Adriano Arthur Dienstmann

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