18 jul

Rede francesa inova apostando na experiência de compra

Para o consultor da Redexpert Adriano Dienstmann “o varejo brasileiro foi construído em cima de ocasiões de consumo, quando deveria privilegiar as ocasiões de compra”.

A rede francesa Zôdio, pertencente ao mesmo grupo da Leroy Merlin, trouxe ao Brasil um conceito de varejo bastante difundido na Europa mas ainda pouco conhecido no País. A loja atua em duas frentes muito claras: venda de artigos domésticos, em geral, e um incentivo ao Do It Yourself (DIY), ou, “faça você mesmo”.

Na loja, localizada na marginal Tietê, em São Paulo, não são as marcas que guiam a disposição dos produtos como a maioria do varejo, mas, sim, a funcionalidade. A ideia é ser uma loja pedagógica e intuitiva. E esse conceito converge com o viés empreendedor que a marca tem em sua essência. Em todos os departamentos, a maioria dos produtos não tem rótulos e são “cleans”, justamente para as pessoas adaptarem e personalizarem seus produtos da forma como quiserem.

Ao entrar na Zôdio, os clientes encontrarão uma espécie de casa, onde poderão fazer aulas de crochê ou tricô. A unidade também conta com um ateliê culinário, onde é possível fazer experimentações e depois provar a comida na mesa de jantar. Todos os espaços da loja são núcleos onde os produtos se conversam com exemplos práticos de como usá-los. No ambiente de cozinha, há dicas de como cortar uma cebola, receitas. Na organização, também há vários outros exemplos de como usar determinado utensílio.

Além disso, a loja conta com ateliês das mais diferentes técnicas e um aplicativo pelo qual os empreendedores podem postar e vender seus produtos nas mídias sociais. Para conquistar o mercado, a rede passou três anos estudando o consumidor brasileiro, porém, “não há uma larga adesão por parte dos brasileiros em colocar a mão na massa ainda”, explica o gerente comercial, Rodolfo Ferretti.

Para o consultor e diretor da Redexpert, Adriano Dienstmann, “o varejo brasileiro foi construído em cima de ocasiões de consumo, quando deveria privilegiar as ocasiões de compra”. Ou seja, nosso varejo ainda não está habituado em oferecer experiências de compras aos clientes, colocando a venda do produto em si como consequência de uma boa experiência.

“A medida que aumentam as opções de bens e serviços para o consumidor, torna-se mais nítida a diferença entre o comportamento de compra e consumo”, explica Dienstmann. “A compra deixa de ser apenas um meio para se chegar ao consumo. Ela ganha contornos de entretenimento, luxo, experiências valorizadas; ou, na ponta do varejo, de serviços agregados, praticidade, agilidade, entrega na sua casa, na sua hora, do jeito do cliente”, complementa.

A aposta de empresas no estilo da Zôdio no mercado nacional apresenta um novo desafio para o varejo brasileiro. “Compreender o comportamento de compra de seus vários perfis de clientes passa a ser determinante para o desenvolvimento da exposição de produtos na loja, na argumentação de vendas, nos serviços de conveniência, entre outros”, complementa o consultor.

(Fonte: brweek.com.br)

Publicado no boletim informativo Varejo e Redes Empresariais nº 194

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